sexta-feira, 15 de maio de 2009
Estagnado
Ele aparentava ser normal. Se vestia como alguém normal. Tinha gostos e preferências que não fazia a menor questão de disfarçar. Tinha um coração de criança. E aos seus 30 e poucos anos, uma cabeça condizente com o mesmo. Não diria que é uma má pessoa. Nem que se fizesse de inocente de propósito. Tinha uma estressante habilidade de mostrar todo dia a mesma boa e clichê imaturidade. Baseou sua vida toda em um profundo orgulho de conhecimentos tão básicos. Poucos anos de nós já o fazem uma pessoa distante. Ele não percebeu que o mundo começou a ensinar-se a si próprio. Buscava ainda se manter em uma época passada. Talvez para encontrar um fim em si mesmo. Queria continuar na fantasia da juventude. Sonhos imortais e fantasias irreais que constroem um adulto infantil. Um eterno “wannabe a rockstar”. Um infinito repertório de piadas sem graça. Brincava de profissional. Fingia ser gente grande. Rafinha não queria crescer. E eu passava minhas tardes ali. Pensando no tamanho da frustração que ele deve ter tido com a realidade. Que tipo de decepção fizera com que ele esquecesse ou simplesmente evitasse crescer.
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